Monumento a Olavo Bilac



Do escultor William Zadig, sueco de origem, inaugurado em 7 de setembro de 1922, o Monumento a Olavo Bilac na Praça do Expedicionário (atualmente Marechal Cordeiro de Farias, próximo à R. Minas Gerais) era composto de cinco partes espalhadas pela estrutura onde foi instalada. William Zadig fez representar na obra alguns dos principais trabalhos de Olavo Bilac. No alto do monumento a figura do célebre poeta. À esquerda o bandeirante Fernão Dias Paes Lemes "O Caçador de Esmeraldas". Ao centro duas obras, primeiro o pensador representando o poema "Tarde" e em seguida "Pátria e Família" representado por uma família junto a um militar brasileiro e a bandeira nacional. Na direita, a talvez mais conhecida parte do monumento "Idílio ou beijo Eterno", representado por um francês e uma índia se beijando ambos nus, porém a obra não teria "vida fácil". Tão logo passaram as comemorações do centenário da independência surgiram as primeiras reclamações sobre ela, com críticas a nudez do "Beijo Eterno" e o local escolhido para sua instalação. Em 1936, devido a obras viárias, o monumento foi removido, desmontado e enviado para um depósito da Prefeitura. Alguns anos mais tarde, aos poucos, as obras foram surgindo, já separadas, e em diversos locais da cidade de São Paulo. O Busto de Olavo Bilac foi para a Faculdade de Direito da USP, Fernão Dias foi para o Bairro de Pinheiros, enquanto as demais partes permaneceram guardadas até 1956, quando o Prefeito Jânio Quadros "redescobre" as esculturas guardadas e manda reinstalar a "Pátria e Família" na Av. Celso Garcia, ao lado de uma unidade fabril da Santista e o "Beijo Eterno" no Largo do Cambuci, um de seus redutos eleitorais.     



O que era uma homenagem monumental, tornou-se um mero busto. Embora bem conservada, a escultura de Olavo Bilac é vista por poucas pessoas uma vez que está instalada em uma área cercada de grades e arames farpados que pertence ao Comando Militar do Sudeste (II Exercito) na Av. Sargento Mário Kozel Filho, no Ibirapuera. 















Pouco conhecida pelos paulistanos a escultura " O Caçador de Esmeraldas" que representa Fernão Dias Paes Leme e seu genro Borba Gato, está instalada nos jardins de uma escola cujo nome é também uma homenagem ao bandeirante. A Escola Estadual Fernão Dias Paes Leme fica na Av. Pedroso de Moraes.














A mais bem cuidada, é a menos conhecida. Desde 1988 instalada no Parque da Independência,  a escultura fica bem escondida em uma das alamedas laterais do parque. A figura do homem na escultura está, na verdade, melancólico após apreciar o livro "Tarde", obra póstuma de Olavo Bilac, com poemas que apresentam um clima de declínio e crepúsculo da vida. O livro encontra-se esculpido no topo de uma pilha de outros livros bem ao lado do homem nu.


Quem passa pela Av. Celso Garcia não imagina que a escultura "Pátria e Família" já teve outro endereço nesta mesma avenida. Inicialmente instalada na esquina com a Av. Salim Farah Maluf, bem ao lado de uma antiga fábrica e onde hoje encontra-se um hipermercado. Quando a fábrica foi demolida em 1999, o monumento foi transferido para a Praça José Moreno, altura do nº 4200 da mesma Av. Celso Garcia, ao lado da Biblioteca Cassiano Ricardo.




O "Beijo Eterno", porém, não foi bem recebido pelos moradores locais e logo acabou sendo mais uma vez removido. A obra mais bela de William Zadig ficaria mais alguns anos nos depósitos até 1966, quando o então Prefeito Faria Lima decide reinstala-la na entrada do Túnel 9 de julho (lado Centro). Mais uma vez, a nudez é polêmica e passa a ser alvo de alguns vereadores paulistanos que acusam o monumento de "Obra do demônio, um verdadeiro escândalo" e pedem a retirada da estátua. Temendo que a obra fosse parar num depósito, estudantes do Centro Acadêmico XI de Agosto resolveram sequestra-la e leva-la para frente da Faculdade onde se encontra até hoje, no largo São Francisco e em paz.



ESTÃO FALTANDO DUAS PARTES DO MONUMENTO ORIGINAL À OLAVO BILAC
Essas duas partes marcadas ao lado, da obra inicial, que não são citadas acima e nem encontradas em lugar nenhum da cidade de São Paulo.






A primeira é a imagem de um garoto escalando o monumento em direção a Olavo Bilac com uma coroa de louros em uma das mãos

(encontra-se no deposito da Secretaria Municipal de Cultura no Canindé dimensões 125 x 80 x 250 com 531 kg).













A segunda nada mais é do que a mais antiga escultura no Brasil sobre o ME "O Escoteiro"

(O Escoteiro encontra-se no depósito da Secretaria Municipal de Cultura no Canindé dimensões 128 x 94 x 170 e 370 Kg).






"O Escoteiro" de 1922












Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista, contista e poeta brasileiro do período literário parnasiano, membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15 da instituição cujo patrono é Gonçalves Ledo  (*16/12/1865 - +28/12/1818).

William Zadig (*21/07/1884 +25/04/1952).

Mais informações:

Neste vídeo aparece a escultura de "Olavo Bilac" e "O Escoteiro"




http://www.desvirtual.com/mda/
http://portal.aprendiz.uol.com.br/2016/01/22/sp-exposicao-sobre-monumentos-esquecidos-revela-disputa-pela-visibilidade-espaco-publico/
http://www.desvirtual.com/mda/2016/03/08/fragmentos-do-monumento-a-olavo-bilac/
http://www.saopauloantiga.com.br/monumento-a-olavo-bilac/
https://saopaulopassado.wordpress.com/2010/06/03/janio-quadros-e-o-monumento-a-olavo-bilac/
http://gq.globo.com/Prazeres/Design/noticia/2015/12/monumentos-escondidos-de-sao-paulo-ganham-mostra-na-capital.html
http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/12/1715180-estatuas-esquecidas-de-sao-paulo-serao-reunidas-em-exposicao.shtml:



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