VIII Interclãs

Estimado Companheiro Celso,

Para publicações e seus arquivos, seguem informações sobre o VIII Interclãs (estou procurando em meu material os distintivos de outros Interclãs que, caso encontre, lhe enviarei as imagens).

O VIII Interclãs de 1994 foi uma Realização do 8 º Distrito Escoteiro Butantã e por isso contou com uma efetiva colaboração de Escotistas e Dirigentes dos Grupos Escoteiros 257 º SP GE-Yepotá Porã, 254 º SP GE Raposo Tavares, 20 º SP GE Falcão Peregrino e 229 º SP GE Paineiras.
Foi organizado sob uma orientação da Assistente Distrital do Ramo Pioneiro e Mestra do Clã Raposo Tavares, Vera Silva.

Foram coordenadores Representantes de cada um dos dois existentes não Clãs Distrito naquela época:
Sanches Pioneira Lorena - Clã Pioneiro Raposo Tavares - 254 º SP GE Raposo Tavares
Pioneiro Alexandre Yerisi - Clã Misto Porã-Yepotá - 257 º SP GE Porã-Yepotá (extinto)
Do Corpo do arquivo em pdf anexo você PODERÁ colher uma atividade da descrição.
Segue a imagem do Distintivo e também da Pulseira do Participante do evento artesanais, ambas.



Parabéns pelo trabalho e não CCME em seu Blog.

Um feliz 2010.
Servir,
Mestre Renato Araujo Silva
Clã Falcão Peregrino
A GE Falcão Peregrino de 20 º SP
renato@falcaoperegrino.org.br


Compartilhando a história e promovendo reflexões...


Uma breve contribuição para a reflexão sobre uma das prováveis origens da intensa e exacerbada inserção, não programada, da história medieval na rotina do Ramo Pioneiro na Região Escoteira de São Paulo.

A história recente do Ramo Pioneiro encontra-se marcada por forte tendência para a adoção por alguns de seus membros de conceitos e práticas não-Escoteiras. Tais conceitos são, com freqüência, rapidamente incorporados no Programa Pioneiro como se fossem elementos da Mística ou da Tradição. Embora configurem uma distorção do Programa Educativo criado por B-P, tais práticas são aceitas e divulgadas por parcela significativa de Mestres e Pioneiros.

Entre inúmeros exemplos de falta de entendimento da proposta educativa de B-P para o Ramo Pioneiro destacam-se em alguns Clãs usos e interpretações errôneas de lendas como a do “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda” e de romances épicos tradicionais como “A Demanda do Santo Graal” ou de romances de sucesso recente como “As Brumas de Avalon” ou “O Código Da Vinci”, entre outros, nenhum deles tendo relação com o verdadeiro Pioneirismo.

Com alguma freqüência observamos tentativas de apresentar como elementos genuínos do Pioneirismo a prática rotineira de atividades temáticas como “Jantares Medievais” e, mais recentemente, até de atividades lúdicas ou folclóricas como as Danças Circulares.

Com freqüência, encontramos sistemáticas interpretações pessoais de inexistentes correlações entre Cerimônias Pioneiras e ritos Celtas serem apresentadas como elementos pseudo-filosóficos que embasam o Ramo Pioneiro.

O entendimento desse comportamento que implantou-se mais fortemente nas últimas duas décadas parece envolver tanto a dinâmica interna e a história do Movimento Escoteiro, como, provavelmente, processos mais amplos e ainda pouco entendidos em curso numa Sociedade cada vez mais complexa e acelerada em suas transformações.

Esse fenômeno é reconhecidamente prejudicial aos nossos jovens, seja pelas distorções que introduz no processo pedagógico, seja pelo dano à "imagem" projetada junto a Sociedade, que faz com que esse maravilhoso Movimento Educacional termine sendo visto por muitos tão somente como uma simples e ultrapassada forma de diversão infantilizadora de jovens adultos.

Para começarmos a busca do entendimento de alguns momentos desse fenômeno, os convido a conhecer um pouquinho da história do que talvez tenha sido o que poderíamos chamar do “Primeiro Jantar Medieval...”.

Era o ano de 1994 e, naquele momento, uma grande brincadeira realizada num Interclãs cujo tema foi "De volta as Origens!"...

Na seqüência, como um "tsunami" que não previmos e nem conseguimos evitar suas conseqüências, o tempo e as gerações que se seguiram encarregaram-se de criar talvez um dos maiores desvios pedagógicos que o Ramo Pioneiro poderia sofrer.

Após aquele evento e durante anos temos realizado um intenso esforço para desmontar algo que tomou dimensões inesperadas e indesejáveis, apesar de não ter sido essa a intenção, qual seja a prática insistente e rotineira de vivencias ambientadas em situações medievais em reuniões, cerimônias e atividades do Ramo Pioneiro.

Espero, ao contar essa história, poder influenciar positivamente a todos que de uma forma ou de outra atuam no Ramo Pioneiro, contribuindo assim para tornar concreto o sonho expresso por aqueles Pioneiros e Pioneiras que organizaram o Interclãs "De volta as Origens".

A idéia inicial pode ter sido mal compreendida por muitos Mestres e sua prática exacerbada ao longo dos anos por alguns Clãs. Talvez tenhamos, involuntariamente, contribuído para seu início. Se na época não percebemos as conseqüências e o rumo que as coisas tomariam, hoje devemos nos empenhar para corrigir as distorções surgidas.

São Paulo é, talvez, a única Região Escoteira onde um jantar temático criado para um evento, o Interclãs de 1994, organizado no Parque Cemucan, no município de Cotia, pelo antigo 8º Distrito Escoteiro Butantã, passou a ser erroneamente adotado como parte da Mística Pioneira, sob o estímulo de muitos, assim chamados, Mestres que por desconhecimento ou teimosia insistem em estimular, manter e reviver de forma recorrente tal atividade.

A programação do Interclãs de 1994 baseou-se em pesquisa elaborada pelo extinto Clã Porã-Yepotá, um dos três clãs que criaram o primeiro Interclãs.

Através de um questionário de duas páginas, com perguntas fechadas e abertas, buscaram identificar junto aos participantes do Fórum Regional Pioneiro realizado em Sorocaba no ano anterior temas e atividades que pudessem agradar os Pioneiros e, retornando as origens, incentivar a prática do verdadeiro Pioneirismo.

Assim, a partir de uma bem elaborada "pesquisa de mercado", o antigo 8º Distrito Butantã reuniu informações valiosas para criar uma programação para o Interclãs que atendesse as expectativas do Ramo Pioneiro da Região de São Paulo. Com esse trabalho foi naturalmente eleito para organizar o próximo Interclãs.

Na época, os Interclãs eram realizados sempre pelos Distritos. No Distrito Butantã havia somente dois Clãs, o Clã Porã-Yepotá e o Clã Raposo Tavares.

O Clã Porã-Yepota havia se afastado do G. E. Raposo Tavares e se transformara num Clã Distrital. Apesar desse fato, havia aceitado, anos antes, o convite para tornar-se Padrinho da reabertura de um novo Clã no G. E. Raposo Tavares a fim de que fossem preservadas as tradições originais e específicas do Ramo Pioneiro praticadas naquele Grupo.

Mestra Vera Silva era Coordenadora Distrital do Ramo Pioneiro e, junto comigo, formávamos o Casal de Mestres do Clã Raposo Tavares. Dessa forma, o evento inicialmente sonhado pelo Clã Porã Yepotá foi coordenado e realizado num trabalho conjunto pelos dois Clãs de nosso Distrito.
Entre as inúmeras idéias resultantes da pesquisa, destacou-se em primeiro lugar "O Caminho de Santiago de Compostela". Esse foi então escolhido como a atividade mais importante e central de todo o evento. O "Caminho de Santiago de Compostela" foi percorrido pelas equipes ao longo de todo o primeiro dia de atividades. Para desenvolver e adaptar o "Caminho" foram realizadas não só pesquisas históricas como vivências e reflexões conjuntas que permitiram aos dois Clãs selecionar as "Estações do Caminho" mais adequadas. O sábado daquele Interclãs foi um inegável sucesso.

Em segundo lugar, na pesquisa, como uma das formas de diversão sugeridas, apareciam os "Jogos Medievais". Assim, os Jogos Medievais foram incluídos na programação após o Culto matinal e ocuparam a manhã do Domingo.

Ao longo dos trabalhos de preparação do evento, como resultado dos estudos realizados, evoluiu, a partir dos Pioneiros, a idéia de realizar um "Jantar Medieval" na noite de sábado, um jantar festivo, temático, como um prenúncio dos “Jogos Medievais” que fariam parte da programação da manhã seguinte.

Uma detalhada pesquisa sobre a idade medieval foi feita pelos dois Clãs em livros trazidos da Inglaterra e em livros e revistas existentes em Português. A leitura de recente tradução comentada do livro "A Demanda do Graal", publicada pela Editora EDUSP da USP e a observação de fotos tiradas em museus britânicos (não havia ainda a facilidade da Internet), completou o embasamento tanto para a preparação dos Jogos Medievais como do próprio Jantar.

Durante o jantar tivemos comidas, músicas e danças medievais. Os alimentos eram fresquinhos, preparados pouco antes do início e ao longo do próprio jantar. Eram pratos tipicamente medievais, conforme receitas descritas nos livros pesquisados, com pães quentinhos, recém saídos do forno, ovos e batatas cozidas, caldo de legumes, leitões e assados feitos pelos próprios Pioneiros dos Clãs organizadores que, para isso, contaram com a valiosa ajuda de Escotistas dos Grupos Paineiras, Falcão Peregrino e Raposo Tavares.

Ao longo da preparação do Interclãs, os dois Clãs vivenciaram dois semestres de atividades educativas que abrangiam desde técnicas de dinâmica de grupo, de solução de conflitos, de formação e gestão de equipe além de passarem a ter um conhecimento mais profundo sobre a vida na Europa Medieval.

Toda a programação foi testada antecipadamente pelos próprios Pioneiros, em atividades chamadas de “laboratório”, uma técnica muito comum usada no teatro. Tal experimentação permitiu a correção de pontos cuja prática transcorria de forma diferente da concepção desenvolvida nas reuniões.

Em resumo, os organizadores do evento seguiram os seguintes passos:

   - Estudo preliminar daquele momento do Ramo Pioneiro na Região de São Paulo;
   - Pesquisa de interesses para identificar as expectativas dos futuros “clientes”;
   - Análise dos resultados da pesquisa de interesse e seleção das idéias que mais se destacaram e que, simultaneamente, apresentaram maior coerência com o tema "De volta as Origens!", escolhido na fase preliminar;
   - Realização de reuniões conjuntas entre os Clãs organizadores para desenvolvimento do Espírito de Equipe;
   - Eleição de dois Coordenadores do Evento, um de cada Clã;
   - Elaboração de anteprojeto de programação (uma programação preliminar) que permitisse a identificação das necessidades a serem atendidas antes, durante e após o evento e indicasse a melhor forma de preparar e executar o projeto definitivo;
   - Busca dos recursos humanos, financeiros e materiais necessários;
   - Elaboração de um cronograma detalhado e firmemente seguindo para execução do projeto;
   - Criação de um Código de Ética ressaltando como comportarem-se, tanto organizadores como participantes, diante de pontos fracos do Ramo Pioneiro, apontados pela Direção Regional da época;
   - Estabelecimento de clima de alta confiança não só entre a Equipe de Pioneiros como entre ela e os Mestres que atuavam como orientadores, quando necessário;
   - Uso da experiência de ex-Pioneiros como forma de transferência de conhecimento e aprendizagem. Os ex-Pioneiros não participavam das reuniões e não substituíam a Equipe em suas obrigações mas eram freqüentemente consultados para transmitirem vivências importantes que tivessem acumulado em seus anos de Pioneiros. Um dos mais experientes ex-Pioneiros consultados foi o hoje advogado especializado no
Direito aplicado a ONG's, Eduardo Szazi.

Algumas memórias inesquecíveis...

Os Clãs chegando na noite de sexta-feira, as faixas e placas indicativas feitas a mão e rapidamente furtadas por desconhecidos por sua beleza e seu ineditismo, como conseqüência, os Clãs informando ao chegar da dificuldade para encontrarem o local devido a ausência de sinalização, o registro dos inscritos feito pela primeira vez em um microcomputador rodando DOS (Windows nem 3.0 havia)...

O Clã que espontaneamente, após cada um de seus membros receber o "Código de Ética", apresentou-se a Coordenadora do Interclãs para entregar uma caixa de cerveja que haviam trazido no carro, a reação da Pioneira Coordenadora que, sem precisar consultar mais ninguém da Equipe ou os Mestres, devolveu a caixa ao Clã, dizendo-lhes que confiava neles e que tinha absoluta certeza de que eles fariam o que era correto (a caixa permaneceu fechada com eles e voltou fechada para casa...)

As barracas sendo montadas, colorindo gradativamente o campo numa distribuição harmônica e espontânea...

O Interclãs iniciando com aquela enorme ferradura, Bandeiras e Oração e o Pioneiro trajado com seu uniforme escoteiro caminhando até o centro, cravando uma espada na “pedra” (onde lá permaneceu até a cerimônia de encerramento) e declarando aberto o evento com simplicidade e tocante solenidade...

As equipes se formando, aprendendo o significado do Caminho de Santiago e cada uma iniciando sua jornada...

Os 200 distintivos pintados um por um a mão, carinho individualizado e único distribuído pela Organização...

O enorme Estandarte do Evento, também pintado a mão em cetim branco, reproduzindo a mesma imagem dos distintivos e que ao final foi cerimoniosamente cortado ao meio pelos dois Coordenadores em prantos...

Cada Clã Organizador retornando a sua unidade com sua metade do Estandarte até hoje guardada como símbolo de algo realizado e que a princípio parecia impossível!!!

O Jantar...

Ainda me lembro da enorme porta de madeira sendo aberta por um Pioneiro Participante que, nunca soubemos a razão, havia vestido uma fantasia de "Morte", os gonzos rangendo, o salão na penumbra das velas nos castiçais de bambu, o Grande Estandarte do evento ao fundo, os Estandartes dos Clãs nas paredes junto com os Escudos que as equipes usariam no dia seguinte feitos um a um em papel-cartão após pesquisas sobre heráldica, as pesadas mesas e os bancos de madeira formando um enorme círculo e os participantes completamente surpresos entrando em duas filas que se abriam e avançavam cerimoniosamente a direita e a esquerda do salão em busca de lugar nas mesas enquanto menestréis cantavam acompanhados de violões e flautas uma paródia da bela "Green Sleeves" escrita minutos antes num rápido e salvador improviso conduzido pela Mestra Ana Luzia, música que a partir daquele momento tornou-se o hino daquele Interclãs:

De volta as origens do Interclãs
Pioneiros se encontram no Cemucan.
Caminho de Santiago a percorrer,
Para o Clã isso sim é viver...
Logo a noite vamos sonhar
Com vitórias a conquistar,
No torneio de amanhã
Uma prenda prometo lhe dar.

O “ooohhhh!” exclamado em uníssono por todos ao ter início o jantar com o desfile dos assados que seriam servidos em breve, transportados por servos (Escotistas e Pioneiros da Organização) alegoricamente vestidos com trajes de época, como aprendido nos estudos realizados, cada um portando uma bandeja de madeira com o nome pirografado de cada Clã participante do evento e que no final lhes seria oferecido como lembrança...

Os alimentos sendo servidos por pajens, comidos com as mãos... e, para surpresa dos comensais, ao final da janta, os dois servos que lavaram as mãos de cada participante com lavanda de limão antes que se desse início ao baile e ao concurso de fantasias...

A organização resolvera organizar um concurso de fantasias durante o baile. Para estimular a participação, foram enviadas sugestões aos Clãs de como fazer fantasias de baixo custo muito realistas, a partir dos estudos feitos pelos Clãs organizadores. Surpreendentemente para os organizadores, 100% dos participantes aderiram ao concurso.

O saudoso Frade Húngaro, de nome Dom Aniano Urdombi, mais conhecido no Escotismo por sua gordura pelo carinhoso apelido de Dom Bolinha, amigo e Irmão Pioneiro, hoje vivendo no Grande Acampamento. Dom Bolinha, Monge do Mosteiro Santo Américo, professor de História do Colégio Santo Américo, Chefe Escoteiro com mais de 54 anos de Movimento, fundador do extinto GE Xavantes 154º SP. Trajava sua batina marrom de Monge (não uma fantasia) e nos alegrou a noite como um Menestrel tocando, em 3 diferentes de flautas, canções folclóricas das mais diversas partes do Mundo.

Tudo isto a luz de velas, no interior de uma construção muito bonita, que ainda hoje existe no local do evento (o Parque Cemucan, em Cotia) e que parece realmente o salão de um Castelo Medieval.

Mais surpresas para a Equipe...

Sucessos da música popular brasileira e da Bahia, rock e outras ao gosto dos Pioneiros da época haviam sido selecionados para o baile de sábado. Seriam tocadas quando as luzes se acendessem ao final do jantar.

Espontaneamente e por unanimidade todos preferiram continuar dançando as poucas músicas medievais de que dispúnhamos e manter o ambiente a luz de velas. Foi uma festa muito bonita mesmo. Uma gostosa e criativa brincadeira.

No Domingo, antes dos Jogos Medievais celebramos o Culto.

O Culto foi um dos momentos mais intensos daquele Interclãs, tanto pelo sucesso da "Jornada pelas Estações do Caminho de Santiago de Compostela" percorrida no dia anterior. fato que contribuiu para criar um clima de muita espiritualidade, como pelo tristeza da morte de um Pioneiro a caminho do evento na noite de sábado.

Ele dirigia seu carro vindo do serviço quando sofreu o acidente em que faleceu. Seu Clã havia nos deixado na madrugada para acompanhar o velório e sepultamento.

Apesar disso, não foi um Culto triste, mas um dos mais profundos de que já participei em eventos escoteiros. Foi uma celebração da vida e de sua transcendência, preparada e compartilhada por cada uma das equipes.

A vida de fato continuava...

A alegria voltou após o denso Culto, espontânea e natural.
Abrimos os jogos com as equipes desfilando sob o som de trombetas, cada uma com seu escudo de papel feito pela organização após alguns estudos sobre heráldica.

A corrida do “Passo do Dragão”, o duelo de espadas marcando os peitos de vermelho, Cavalo e Cavaleiro correndo para serem os primeiros a ter um anel na ponta de sua lança, a Corrida de Três Pernas, a torcida formada por Pioneiros e por dezenas de freqüentadores do Parque, todos postados atrás das “linhas de segurança” que formavam a longa arena retangular onde as justas ocorriam...

E, ao final dos jogos, novamente o som das trombetas homenageando as Equipes Vencedoras enquanto essas recebiam como prêmio uma chuva de bexigas, cheias de água, lançadas por todas as demais equipes. Muita alegria, muita animação e descontração e, apesar das bexigas jogadas e do banho inesperado, muito respeito como seria de se esperar em um jogo escoteiro.

Os Mestres divertindo-se, conforme planejado, formando duas equipes que competiram somente entre si, sem perturbar a atividade dos Pioneiros.

A tarde, novamente a enorme ferradura e a avaliação coletiva da atividade: "- Pioneiros, como foi o Interclãs? Vocês tem 10 minutos para achar uma forma de responder...”

... em menos de dois minutos vem a quase imediata resposta: “- Estamos prontos, já avaliamos!”

Novamente então a pergunta: "- Pioneiros, como foi o Interclãs?" e a resposta de cerca de 200 bocas gritando em uníssono uma única e surpreendente palavra: "- TESÃO!"

Voltemos ao presente! E a alguns comentários para reflexão...
  
   - A Idade Medieval não foi àquela maravilha que aparece nos filmes, foi apenas um longo período que parte da Humanidade viveu na Europa.
   - Pioneiros não são Cavaleiros Medievais, seu traje em todas as cerimônias e atividades escoteiras sempre foi e deverá ser o Uniforme ou o Traje Escoteiros e vesti-los, motivo maior de orgulho.
   - Se lermos BP com atenção, veremos que ele somente retomou os valores cultuados pelos cavaleiros medievais, pois são valores universais, motivo de unidade, uma necessidade sempre presente nas gerações de todos os tempos, um sentimento coletivo que Jung chamou de "arquétipico". Segundo Jung, um mito está para a humanidade geral assim como o sonho está para o indivíduo. O mito e os valores da lenda do Santo Graal e dos Cavaleiros da Távola Redonda incluem-se nesta categoria.
   - O Ramo Pioneiro não possui nem nunca possuiu "fundo de cena". Jovens Adultos não necessitam disso para continuar sua educação. Caso insista-se nisso estaremos transformando-os em pessoas deslocadas de seu tempo, diminuindo sua evolução psicológica (estudemos a psicologia humana e a pedagogia e chegaremos a essa conclusão).
   - Quando muito, o “fundo de cena” poderia ser visto como a própria Sociedade onde os Pioneiros se desenvolvem e exercem seu Servir.
   - Mestres podem e devem divertir-se mas sua principal missão é ORIENTAR!
   - Mestres, não formam Clãs, como educadores formam equipes de estudo, Equipes de Mestres!
   - Mestres não são membros do Clã, são seus orientadores, por isso seu papel não pode ser regulamentado pela Carta Pioneira.
   - Mestres não participam de eventos como Pioneiros mas como Exemplo, como Orientadores, enfim, como "Mestres".
   - Mestres não são superiores a ninguém, estão no Movimento apenas para Servir. Diferem-se dos demais Escotistas ou Dirigentes apenas porque na prática devem e exercem sua autoridade junto aos jovens de forma limitada. Devem conquistar sua autoridade no dia a dia e não simplesmente tentar exercê-la com base no estabelecido pelo P.O.R. ou pelos Estatutos.
   - Mestres devem orientar pessoas em fase final de transição para a vida adulta, vindos da adolescência.
   - Mestres são Escotistas Educadores como qualquer outro de qualquer outro Ramo.

Conclusão

Por tudo o que relato acima, é preciso que nós, Mestres, tomemos atitudes firmes frentes a nossos irmãos pioneiros, a nossos irmãos escoteiros. Devemos o mais rápido possível restabelecer o equilíbrio e vivermos como seres da Nova Era, não do passado.

Uma posição extremada tomada unilateralmente pelos Mestres e Pioneiros insistindo em não entender que a Mística Pioneira não se confunde com a vivência de situações medievais e que isso é absolutamente incompatível com a proposta educacional elaborada por BP pode causar enormes danos ao próprio Ramo Pioneiro.

Disseminando e estimulando essas reflexões estaremos dando real exemplo a nossos Pioneiros e realizando a nobre missão de sermos Educadores para os dias de hoje e para os dias que virão.

Espero com esse texto contribuir para que possamos aproveitar a energia positiva de novos e antigos Mestres e Pioneiros, envolvendo-nos, nesse enorme trabalho que tem que ser concluído para o bem de todos, qual seja o retorno aos fundamentos educacionais do Pioneirismo, a seus objetivos educativos e a eliminação de eventuais exageros através da real compreensão do Papel do Mestre Pioneiro e do Programa Pioneiro.

Se pudermos fazer chegar essa mensagem a todos os Clãs, certamente poderemos causar intensa reflexão em todos que com ela tiverem contato. Em todos que a lerem como uma contribuição de alguém que ama o Ramo Pioneiro e os que a ele se dedicam, alguém que só quer o bem de nossos Jovens Adultos, hoje Pioneiros.

Que o Senhor do Universo me ajude a ser entendido por nossos Irmãos Pioneiros.

Não tem esse texto nenhuma intenção de crítica pessoal, não há nada além do desejo de Servir como um Servo, mas um servo que nem sempre diz somente aquilo que seus Amos desejam mas sim o que às vezes precisam ouvir.

Servir

Renato Araujo da Silva
Velho Mestre Pioneiro

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